terça-feira, 30 de junho de 2020

Corrupção: Como compreender que a bandidagem continue "assaltando" os cofres públicos no país da Lava Jato?

Os brasileiros de uma maneira geral viveram tempos de esperança durante pelo menos os primeiros quatro anos da Operação Lava Jato, em Curitiba. Com razão de sobra para aquele otimismo. Centenas de políticos intocáveis e ladrões do dinheiro público foram desmascarados. Mais do que isso: inúmeros poderosos foram apeados do poder e trancafiados - por muito pouco tempo, é verdade.

Imaginava-se que o contundente recado contra a corrupção no Brasil estava dado e compreendido: ninguém toleraria mais bandalheira com o suado dinheiro arrecadado por uma das mais cruéis tributação do mundo. Ledo engano.

O que está acontecendo neste momento é o que sempre ocorreu. Marginais de terno, gravata e imenso patrimônio, sabe-se lá como amealhado, permanecem mantendo redes criminosas de norte a sul do país. Hoje mesmo, terça, 30, uma secretária de Estado do Amazonas, que está há apenas três meses no cargo, foi parar atrás das grades. O próprio governador daquele Estado escapou da cadeia neste momento, mas sofreu mandado de busca e apreensão. Em Goiânia, quase ao mesmo tempo, policiais federais vasculharam endereços de desembargadores, advogados e empresários suspeitos de manter uma organização criminosa ligada a grandes empresas em recuperação judicial.

Nem o julgamento do Mensalão, nem a Lava Jato. Nada parece deter que a elite canalha se esbalde com o dinheiro dos impostos no Brasil. Até quando?

14 por 14: Uma nova tentativa para salvar pessoas e empresas, com base em estudo científico da Universidade

EDITORIAL

 Desde ontem, segunda-feira, 29, um intenso debate, algumas vezes muito mais radicalizado do que exige o bom senso, tomou conta das redes sociais frequentadas pelos goianos. Tudo com base em uma realidade indiscutível: o extraordinário aumento de casos e de mortes provocadas pela Covid-19, pandemia que a partir de um, acredita-se, mercado popular chinês adoeceu 10 milhões de pessoas e matou meio milhão, incluídos nessa conta trágica mais d 20 mil goianos contaminados e quase 500 mortos.

Não, não é pouca coisa. Não, não foram somente pessoas apontadas como sendo do tal grupo de risco, velhos e doentes crônicos. Pior do que isso: o que se apresenta de maneira assustadora - sim, sem nenhum alarmismo - é o avanço da doença.

Em março, quando ainda se registrava em terras goianas menos de meia dúzia de pessoas adoentadas pelo corona vírus Sars-Cov-2, o governador Ronaldo Caiado foi maciçamente apoiado por seus conterrâneos ao aplicar uma muito bem sucedida quarentena. Ao ponto de os goianos serem apontados com certa inveja pelos brasileiros de outras regiões como uma porção do povo que era a prova de que é possível trilhar caminhos duros, difíceis, mas acertados.

O tempo minou a autoconfiança dos goianos de que se estava vencendo a doença. Mais ainda, enquanto se segurava o vírus, a situação econômica avassalou de vez os ânimos. Assim, e aos poucos, e também pelo êxito inicial, o inconsciente coletivo aflorou no sentido de que "já que não se pode derrotar o corona, seja o que Deus quiser porque é melhor ir à luta". Não se vai aqui discutir ou procurar outros protagonistas que foram intensos nessa queda da Bastilha erguida pelos goianos contra a pandemia que apavorou o mundo todo. Isso certamente ocorrerá, mas em seu devido tempo.

O momento é de repensar o formato da luta contra uma não descartada carnificina entre nós e os nossos. É disso que se deve tratar agora. O governo anunciou um esquema preparado ao sabor da ciência médica exercida pelas maiores autoridades da Academia de Goiás, a UFG. É um plano simples, que já foi bem aplicado por outras nações, com algumas variações, como é o caso de Israel. A doença lá não foi vencida, mas tornou a vida possível apesar dela.

Os cientistas da UFG provavelmente olharam tudo o que o mundo fez, e elaboraram algo com obediência vital às condições goianas: 14 dias de fechamento com 14 dias de abertura. Grosso modo, sem levar em conta a incrível rapidez de contágio que esse corona vírus provoca, o protocolo 14 por 14 poderá salvar metade das possíveis vítimas futuras. Essa conta simplificada não leva em consideração que durante 14 dias haverá uma óbvia diminuição na cadeia de contágio. Em determinadas situações, como nas festas clandestinas ou na insana e assassina aglomeração do transporte coletivo de Goiânia e região metropolitana, uma pessoa contaminada pode, involuntariamente, entregar o vírus para outras três ou quatro vítimas, e cada uma dessas afetará outros tantos. Parar essa rede de contaminação por 14 dias provocará inevitavelmente uma queda muito maior do que 50% no número de doentes no futuro imediato.

É preciso, portanto, tentar dessa forma. Até pela falta de algo melhor, e menos sacrificante. Imaginar que as empresas vão bombar as burras com um vírus tão agressivo circulando entre nós é caminhar para o suicídio delas e das pessoas. Tentemos assim. E se não der certo, vamos tentar de outra forma. Temos que vencer porque só precisamos - e queremos! - viver.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Região metroplitana de Goiânia terá que resolver problema do transporte coletivo durante fechamento

Com a adoção do protocolo 14 por 14, elaborado pela UFG e acatado pelo governo de Goiás e prefeitos, para diminuir as curvas da Covid-19 em Goiás, que tem batido seguidos e tristes recordes, a região metropolitana de Goiânia terá que resolver, durante o período de fechamento, o gravíssimo problema do transporte coletivo. Isso se não quiser assistir, nos períodos de abertura, de 14 dias seguidos, novas explosões de contágios por corona vírus.

Desde o surgimento da doença, no final do ano passado, na China, muito do que se imaginava a respeito do vírus não se confirmou. Porém, uma certeza desde o início permanece: o corona precisa de aglomerações, contatos físicos entre as pessoas, para se distribuir nas populações.

Em Goiânia e região metropolitana, sempre se soube da gravíssima, desumana até, situação do transporte coletivo. O sistema é totalmente incapaz de transportar as pessoas de um ponto ao outro. Por sinal, nem nas estações de embarque os usuários conseguem acessar os veículos sem tumulto. 

Para o corona vírus, o transporte coletivo tradicional de Goiânia e região é o ideal para se proliferar de maneira descontrolada. A Assembleia Legislativa chegou a discutir a adoção, temporariamente, de transporte auxiliar através de vans escolas e de turismo, que estão paradas porque ambos os setores foram literalmente fechados. Sem maiores explicações, a não ser uma desculpa de tramitação inapropriada para os padrões burocráticos do parlamento estadual, a iniciativa foi arquivada.

Prefeito Iris Rezende diz que Goiânia vai seguir todas as orientações adotadas pelo governo de Goiás

Último a se manifestar na reunião online, o prefeito Iris Rezende apresentou um rápido balanço das ações que a Prefeitura de Goiânia adotou até agora, inclusive com a adaptação de um hospital e instalação de 100 leitos de UTI. Iris Rezende finalizou garantindo que Goiânia vai continuar seguindo "todas as orientações do governo do Estado" no combate à Covid-19.

Prefeito Iris Rezende (print: página de O Popular online)

Presidente da Fieg, Sandro Mabel, desconhece protocolo da UFG, e diz que fechamento "é somente na cabeça do governador"

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás, FIEG, Sandro Mabel, mantém o surrado discurso que defende a "imunidade de rebanho", prática cruel que consiste em expor as populações ao contágio para que pelo menos 70% das pessoas se tornem imunes. A tese é praticada somente quando é acompanhada por campanha de vacinação simultânea. No caso da Covid-19 não há nem mesmo remédio definitivamente aprovado e adotado pela ciência médica mundial para efetivo e seguro tratamento dos contagiados.

Sandro Mabel diz que "fechamento só (existe) na cabeça do governador Ronaldo Caiado". Novamente o empresário desconhece protocolos desenvolvidos pela comunidade médica e científica. A adoção por parte do governo, respeitando inclusive as decisões de cada prefeito, é recomendada pela UFG.

O Brasil é hoje o país com maior descontrole no combate ao corona vírus, e Goiás tem se destacado negativamente em nível nacional.

Governador adota estudo da UFG, e determina fechamento de atividades não essencias em Goiás

Em reunião virtual com prefeitos de inúmeras cidades de Goiás, o governador Ronaldo Caiado anunciou que o Estado de Goiás está adotando protocolo preventivo elaborado pela UFG. Em linhas gerais, os cientistas da universidade defendem fechamento total de todas as atividades não essenciais por 14 dias, seguido pela abertura total por período de igual duração, plano conhecido como 14 por 14.

A decisão do governo do Estado tem aplicação restrita às áreas que estão diretamente ligadas ao Executivo Estadual. Nos municípios, a decisão de se adotar ou não a coordenação do Estado cabe aos prefeitos.

Print da reunião na página online de O Popular mostra o governador Caiado sob forte apreensão

sábado, 27 de junho de 2020

Ex-advogado dos Bolsonaro, Frederick Wassef, precisa esclarecer o plano de assassinato de Queiroz

É impossível acreditar nas palavras do ex-advogado de Jair e Flávio Bolsonaro. A cada momento, quando flagrado em mentira, ele altera a versão como se mentir fosse algo normal. Não é, nunca foi. Especialmente quando se trata de assuntos bastante nebulosos que envolvem a família número 1 do país.

A última de Frederick Wassef é de tirar o chapéu para quem milita na área criminal do Direito. Ele diz agora, após desmentir inúmeras vezes, que "abrigou Fabrício Queiroz", o motorista-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, por uma questão humanitária e de proteção. Wassef garante que descobriu um plano para assassinar Queiroz, e assim o "escondeu" em uma de suas propriedades em Atibaia, interior paulista.

Não se sabe previamente se ele finalmente falou a verdade ou se mantém sua trajetória fantasiosa dos fatos. De qualquer forma, está na hora de investigar essa versão. Ter conhecimento de uma trama de assassinato e não alertar as autoridades abre um leque de possibilidades, especialmente sobre os autores dessa tramoia. Wassef precisa ser levado e depor para esclarecer de vez esses fatos.

De mentira em mentira, ele colocou o pé na "peia".

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Deputados e deputadas entram em recesso sem resolver a aglomeração assassina no transporte coletivo. Por que não as vans?

Em meio ao desespero dos comerciantes, especialmente os pequenos, e de boa parte dos trabalhadores "invisíveis", que não tiveram acesso ao auxílio emergencial de 600 reais prometidos pelo governo federal, o terrível dilema entre reabertura dos estabelecimentos e o altíssimo risco de explosão de casos, inclusive graves, de Covid-19 se escancarou: não há muito mais o que fazer. Ou reabre com controle e o que for possível no que se refere à segurança sanitária, ou talvez a situação degringole de vez, com retomada das atividades de forma estabanada.

É possível reabrir e ainda assim manter algum grau de segurança sanitária? Não se tem certeza, mas não há alternativa. Quando o desespero entra pela janela, o ódio arrebenta as portas e se esparrama nas calçadas.
Como diminuir as chances que o Sars-Cov-2 tem para atingir o maior número de pessoas numa situação como essa? Fechando alguns pontos de previsível aglomeração, e a pior delas se vê todos os dias no transporte coletivo. Por isso mesmo é incompreensível que deputados e deputadas estaduais entrem em recesso absoluto em julho, como anunciou o presidente Lisauer Vieira, sem antes ter resolvido de vez a possibilidade de autorizar as vans escolares e de turismo, que estão paradas, a auxiliar a demanda maior no transporte coletivo.

Não é apenas incompreensível. Raspa a irresponsabilidade, e flerta com a insensibilidade. 

Nada de novo: deputado que pregava moralidade na Assembleia legislativa emprega mulher e irmão no governo

Como prefeito de Piracanjuba, o hoje deputado estadual Amauri Ribeiro ficou famoso por sempre desfilar um chapelão "boiadeiro de camionete" - embora seja produtor rural - e por agressividade desmedida, além de defensor das boas práticas da moralidade administrativa.

Com esse perfil, chegou à Assembleia Legislativa, em 2018, sem grandes problemas. E tão logo eleito ensaiou uma pregação aos moldes de pastores radicais e absolutistas. Bradou contra verbas de gabinete, excesso de funcionários e chegou até a acusar, sem apresentar prova alguma, que algumas funcionárias da Assembleia eram "garotas de programa".

Um ano e meio depois, o que há? Nada que jamais se tenha visto dentro das piores práticas da administração política brasileira. Por influência direta do deputado, o Estado mantém em suas folhas de pagamento um irmão e a própria esposa dele.

Anápolis: saída do deputado Antonio Gomide é bálsamo para prefeito Roberto Naves

Acometido por problemas de saúde, que o levaram à mesa de cirurgia recentemente para a retirada de um tumor benigno, mas que deixou algumas sequelas, o deputado estadual Antônio Gomide (PT) anunciou que está fora da disputa eleitoral em Anápolis este ano.

A saída de Gomide é uma reviravolta e tanto na sempre agitada política Anapolina. Prefeito por 2 mandatos, o segundo interrompido por uma precoce e decepcionante disputa pelo governo do Estado, em 2014, o petista sempre manteve-se com alta popularidade. Para o partido, o baque é ainda maior. Há outros nomes, mas nenhum com alguma dimensão diante da grande estrela popular do PT em Anápolis.

Ganha, portanto, o atual prefeito e candidato à reeleição Roberto Naves. Obviamente, não se trata de uma vantagem definitiva, mas o jogo fica um pouco menos difícil para ele.

Goiás mergulha no caos: não foi por falta de aviso

Parece estúpido que março deste ano já dê a impressão de que foi há muito tempo. Não foi, está logo ali, mas quanta diferença.

Enquanto em Brasília o errático presidente trabalhava intensamente para alienar seguidores contra a brutal realidade do Sars-Cov-2, inclusive com a desastrosa declaração oficial que relatou a Covid-19 como "gripezinha" ou "resfriadinho", em Goiás o governador Ronaldo Caiado, invocando sua condição de médico, bradava no meio da horda bárbara de seguidores aglomerados na praça Cívica em apoio ao presidente amante da cloroquina. Uma frase dele em meio às vaias que recebeu, tornou-se uma profecia: "Quando faltarem UTIs para seus filhos, você vão bater às portas do Palácio (das Esmeraldas, sede do governo estadual)". Naquela altura, Goiás registrava somente 4 casos de Covid-19.

Os últimos números da Secretaria de Saúde são arrasadores: mais de 20 mil pacientes, 400 mortos. O que mais machuca é que não foi por falta de aviso.

Mudar para sempre permanecer sem compromisso com a perenidade

Blog (usuário) no UOL por algum tempo. Site de análises e informações políticas mantido por 5 anos. Uma mudança sabática após 42 anos em redações e microfones de rádios, estúdios de TVs, redações de impressos, e eis que aqui ainda estou. Mudanças para sempre manter as andanças sem compromisso algum com a perenidade.

Não resolvi ser assim: eu sou assim. Não uma metamorfose. Não exatamente uma mesmice. Algo incomodado sem paixão contrária ao conforto. Sazonal, cíclico talvez, invariavelmente na direção do que ainda virá.  Até por desconhecer completamente outra direção.

Sim, estou voltando. Sem água no feijão, sem sal no arroz. Alguma pimenta vez ou outra.

Reabertura (quase) total: Goiânia se lança à própria sorte sob a espreita do azar

De imediato é preciso reconhecer: Goiás e Goiânia, conjuntamente, fizeram tudo o que era possível para evitar que goianos e goianas vivessem...