Em meio ao desespero dos comerciantes, especialmente os pequenos, e de boa parte dos trabalhadores "invisíveis", que não tiveram acesso ao auxílio emergencial de 600 reais prometidos pelo governo federal, o terrível dilema entre reabertura dos estabelecimentos e o altíssimo risco de explosão de casos, inclusive graves, de Covid-19 se escancarou: não há muito mais o que fazer. Ou reabre com controle e o que for possível no que se refere à segurança sanitária, ou talvez a situação degringole de vez, com retomada das atividades de forma estabanada.
É possível reabrir e ainda assim manter algum grau de segurança sanitária? Não se tem certeza, mas não há alternativa. Quando o desespero entra pela janela, o ódio arrebenta as portas e se esparrama nas calçadas.
Como diminuir as chances que o Sars-Cov-2 tem para atingir o maior número de pessoas numa situação como essa? Fechando alguns pontos de previsível aglomeração, e a pior delas se vê todos os dias no transporte coletivo. Por isso mesmo é incompreensível que deputados e deputadas estaduais entrem em recesso absoluto em julho, como anunciou o presidente Lisauer Vieira, sem antes ter resolvido de vez a possibilidade de autorizar as vans escolares e de turismo, que estão paradas, a auxiliar a demanda maior no transporte coletivo.
Não é apenas incompreensível. Raspa a irresponsabilidade, e flerta com a insensibilidade.
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