Os brasileiros de uma maneira geral viveram tempos de esperança durante pelo menos os primeiros quatro anos da Operação Lava Jato, em Curitiba. Com razão de sobra para aquele otimismo. Centenas de políticos intocáveis e ladrões do dinheiro público foram desmascarados. Mais do que isso: inúmeros poderosos foram apeados do poder e trancafiados - por muito pouco tempo, é verdade.
Imaginava-se que o contundente recado contra a corrupção no Brasil estava dado e compreendido: ninguém toleraria mais bandalheira com o suado dinheiro arrecadado por uma das mais cruéis tributação do mundo. Ledo engano.
O que está acontecendo neste momento é o que sempre ocorreu. Marginais de terno, gravata e imenso patrimônio, sabe-se lá como amealhado, permanecem mantendo redes criminosas de norte a sul do país. Hoje mesmo, terça, 30, uma secretária de Estado do Amazonas, que está há apenas três meses no cargo, foi parar atrás das grades. O próprio governador daquele Estado escapou da cadeia neste momento, mas sofreu mandado de busca e apreensão. Em Goiânia, quase ao mesmo tempo, policiais federais vasculharam endereços de desembargadores, advogados e empresários suspeitos de manter uma organização criminosa ligada a grandes empresas em recuperação judicial.
Nem o julgamento do Mensalão, nem a Lava Jato. Nada parece deter que a elite canalha se esbalde com o dinheiro dos impostos no Brasil. Até quando?
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