segunda-feira, 13 de julho de 2020

Reabertura (quase) total: Goiânia se lança à própria sorte sob a espreita do azar

De imediato é preciso reconhecer: Goiás e Goiânia, conjuntamente, fizeram tudo o que era possível para evitar que goianos e goianas vivessem aqui o que amazonenses enfrentaram. E houve, sim, uma grande adesão da população, especialmente da capital, o que fez daqui um case nacional de sucesso de distanciamento social por praticamente um mês. Foram outros três meses com parte das atividades, grande parte, diga-se, com as portas completamente fechadas. Portanto, não há como afirmar que os governantes e o povo não se esforçaram ao máximo. Os primeiros, acumulando desgastes políticos; os demais, acatando as orientações. Porém, para quase tudo há limites entre o suportável, não menos sofrido, com o insuportável. A reabertura está a caminho, e começa nesta terça-feira, 14.

Levando em conta tudo o que se observou em outras regiões, aqui e lá fora, a perspectiva não é boa. No que se refere às pessoas, a possibilidade de infecção pelo corona vírus ganha enormes proporções. Particularmente para três ou quatro perfis: aqueles que desacreditam na efetiva proteção via máscaras corretas, álcool em gel e sabonetes nas mãos; os que, mesmo acreditando, vão se acumular dentro de um transporte coletivo pior do que o destinado para o gado - que jamais é embarcado nos caminhões acima da capacidade instalada; por fim, os e as que preferem ignorar os riscos inegáveis e se entregar a efêmeros momentos em que encontram a felicidade em bares, festinhas e intensidade social.

Goiânia vai se lançar à própria sorte sob forte paradoxo: saúde das pessoas ou morte das empresas. E o azar está à espreita. Se tudo der errado, haverá trabalho extra nos cemitérios e empresas sem clientes e com caixa negativo. Se funcionar mais ou menos, vai ter aumento no número de infectados, mas ainda suportável pela rede hospitalar, e algumas empresas vão retomar o tempo perdido (o que tem sido registrado em São Paulo não é muito animador nesse aspecto, ao contrário). Se, e essa é a torcida de todos, a jornada dos goianienses for boa, então não haverá impacto negativo no número de infectados, mas as empresas não devem imaginar que as suas caixas registradoras tilintarão como nunca. Na melhor das hipóteses, retornam aos tempos pré-pandemia, em que os negócios não estavam nada bem.

Seja lá o que vier, que pelo menos não prevaleça a Lei de Murphy.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Goiânia reabre tudo: sem apoio da população, isolamento social é mesmo uma ficção

O plano inicial era flexibilizar as atividades econômicas não essenciais. Programa simples, de aplicação fácil de entender: abertura total por 14 dias seguido por fechamento pelo menos período. Para os estudiosos, essas duas semanas alternadamente poderia impedir a explosão da casos de covid-19, resguardando a rede hospitalar, e ainda dar folego às empresas para suportar esses tempos de pandemia virótica com possibilidade real de se tornar mortal - mesmo quando se tem assistência médica - para uma parcela pequena dos contaminados.

Apesar de simples, e talvez viável, não deu certo. A população simplesmente não apoiou, e sem esse apoio não há isolamento que tenha bons resultados. Em 10 dias, as curvas de monitoramento da circulação de pessoas se manteve por volta de 37%, atingindo pique de 38%. Isso é quase nada, e provavelmente insuficiente, entendem os especialistas médicos.

O prefeito Iris Rezende percebeu a perigosa arapuca política que estava em curso com a insistência na aplicação do plano 14 por 14, e convenceu o governador Ronaldo Caiado. Não se conhece o teor real do que ambos conversaram, mas sabe-se a conclusão: Goiânia e Goiás vão reabrir praticamente todas as atividades.

O que virá depois ninguém sabe. A sorte está lançada.

sábado, 4 de julho de 2020

Só há três armas contra o corona vírus: máscaras, álcool e álcool em gel 70 e distanciamento social. O resto é curandeirismo, mesmo quando veste jaleco branco

É de perguntar: de onde partiu a onda pró-hidroxicloroquina? Seria ação de algum raizeiro apressado, um garrafeiro que cura de Aids a "espinhela caída", dor de barriga, diarreia e diabetes tudo ao mesmo tempo e com apenas algumas "talagadas"? Não. O que surge entre os leigos são fórmulas que prometem tudo, mas normalmente nada entregam, como mistura de mel com suco de alguma fruta ou raiz. Isso é o máximo que vem desse setor social da "medicina".

A cloroquina, e sua versão menos tóxica, a hidroxicloroquina, são resultados da indústria química, e foram desenvolvidos com finalidades específicas, como a malária, há vários anos. É o caso de se perguntar, então, como esses medicamentos passaram de "mocinhos" na luta para o qual foram criados para "vilões" da fake news na guerra contra o apavorante corona Sars-Cov-2. São versões poderosas sobre supostos e autênticos milagres que a cloroquina e a hidroxicloroquina conseguem na batalha contra o vírus. Versões estas levaram o próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a afirmar na TV americana que tomou os remédios durante duas semanas como "preventivo". Em outras palavras, como se fossem... vacinas.

Esses dois aí ainda fazem parte do rol de medicamentos mágicos - e sem qualquer comprovação avaliada pela ciência química medicamentosa -, mas mudaram de "protocolo". Eles agora compõem uma lista, igualmente clandestina do ponto de vista dos cientistas, de um kit corona, que funciona como uma maleta de primeiros-socorros. A julgar por inúmeros vídeos no Youtube e em grupos fechados, especialmente no WhatsApp - sempre ele! -, essa gororoba química, que algumas vezes tem até vermífugo como ponta-de-lança do ataque aos primeiros sintomas da covid-19. tem empolgado muita gente, inclusive prefeitos.

Se a cloroquina e a hidroxicloroquina foram superados em sua carreira como "vacina", eis que agora surge mais um remédio: a invermectina. Criada para arrasar com o corona? Não, seu objetivo é combater vermes e parasitas que causam elefantíase, e também combate lombriga, sarna e piolho. Há médicos, como no caso da dupla coqueluche até então, que defendem esse  medicamento - mais uma vez! - como espécie de "vacina": tomou, pimba, adeus corona. Em tempo: a versão mais conhecida da invermectina é bastante badalada entre os criadores de... gado, o Ivomec, que há 40 anos auxilia no combate a parasitas como berne e carrapato.

Tudo somado, e apesar desses coquetéis todos, os humanos tem poucas armas conhecidas e comprovadas até agora para sobreviver ao corona vírus: distanciamento social, álcool e álcool gel 70 e usar máscaras corretamente. O resto é curandeirismo, mesmo quando se exibe com um jaleco branco.

Do editor - aproveite que chegou até aqui neste texto e aponte seu mouse para este link: Revista Questão de Ciência

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Se não acabar com a aglomeração assassina no transporte coletivo, esforço da quarentena goianiense não valerá grande coisa

Desde março, quando o corona vírus mostrou seus dentes caninos, raivosos e mortais para os goianos, o governador Ronaldo Caiado e inúmeros prefeitos assumiram uma duríssima, e providencial, linha de combate ao contágio. Durante pelo menos dois meses, os goianienses demonstraram uma adesão extraordinária às restrições sociais. Ao ponto de a ameaça ganhar ares muito mais tranquilizadores, muito embora não exista tranquilidade alguma enquanto esse vírus não for contido pela ciência médica mundial.

Foi um período importante para a saúde de todos. Durante pouco mais de dois meses, Goiás estava entre os Estados com melhor controle sobre a difícil situação. Depois desse período, tudo começou a mudar dramaticamente. Tanto em Goiânia como também em algumas das principais cidades do interior. Ao ponto de o governador Ronaldo Caiado mais uma vez sacar de um novo plano de distanciamento social, o 14 por 14, sob o impacto de estudo realizado por grupo de estudiosos da UFG, um dos melhores centros acadêmicos do país. Goiânia aderiu imediatamente, Alguns prefeitos do interior entenderam que podem proteger seus cidadãos e cidadãs de outras maneiras.

Hoje, sexta-feira, 3, o prefeito Iris Rezende se pronunciou através de vídeo nas redes sociais, para pedir o empenho, mais uma vez, dos goianienses. Ele também explicou que a administração vem tomando todas as precauções recomendadas pelas autoridades sanitárias.

Quarentenas resolvem enquanto "barreira sanitária" para barrar o corona vírus? Sim, sem dúvida. Todos os países que enfrentaram problemas sérios lançaram mão desse estratagema, e conseguiram salvar muitas pessoas. É claro que isso salva por um lado, mas afeta de maneira particularmente cruel toda a economia. O plano 14 por 14 visa diluir essas dificuldades. Se dará certo ou não é preciso esperar para concluiu, mas não fazer nada seria a pior solução.

Há, porém, uma gravíssima ameaça que trabalha contra o sucesso da nova quarentena: o transporte coletivo de Goiânia e região metropolitana. Tudo o que o vírus precisa para matar centenas, talvez milhares de pessoas é esse transporte que aí está. Se não resolver isso, o esforço que se fará agora não valerá grande coisa.

Lotação de bares no Leblon, Rio de Janeiro, é a prova cabal de que reabertura precisa de muitos cuidados

As fotos e curtos vídeos estão nas redes sociais. Mostram bares no Leblon, badalado bairro no Rio de Janeiro, lotados, após o fim da quarentena naquela capital. Se um ET olhasse a cena, certamente concluiria que o Estado do Rio, e a cidade em particular, apresenta se não uma vitória total no controle da disseminação do contágio pelo corona vírus, ao menos fortíssima tendência de rumar em direção a zero casos novos. A realidade, porém, é exatamente o oposto.

O Rio de Janeiro, isoladamente, carrega uma das maiores letalidades regionais do planeta por covid-19. E esses números macabros estão em ascensão. A reabertura de bares por lá é uma comprovação inequívoca que os dirigentes brasileiros devem levar em conta: não basta reabrir e pedir, como se fosse um favor, que as pessoas não se aglomerem - ainda mais sem máscaras (como frequentar um bar e consumir refrigerantes, cervejas e tira-gostos com o rosto tampado?).

Que as lideranças municipais de todo o país tenham o Rio de Janeiro como exemplo, e não sigam na direção dada pelo prefeito de lá, o pastor/bispo Marcelo Crivella. A covid-19 pode ser mortal, e não há remédios diretamente efetivos contra ela.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Prefeitos do interior de Goiás começam a aderir ao "Kit Covid". Sociedade Brasileira de Infectologia não recomenda

É inegável que os prefeitos em todo o Brasil sentem diretamente o drama vivido por suas populações no combate diário à pandemia provocada pelo corona vírus (Sars-Cov-19). Mais até que os governadores. Os prefeitos estão na ponta, vivenciando todos os dramas de seus vizinhos. Muitos deles estão desesperados ao ver de muito perto seus cidadãos aterrorizados pela doença e pelas estraçalhantes consequências na economia, geralmente bastante restritas ao comércio e à produção nas fazendas. Isso é sempre muito pouco. É dinheiro contado centavo por centavo, e é esse recurso que está se esvaindo.

O que fazer nesses casos? Não há fórmula mágica, uma varinha de condão que, com um só toque... plim, a vida ousa voltar ao que sempre foi normal. É aqui que tem entrado um tal de "kit covid", um coquetel de medicamentos já há tempos conhecidos e que, quando bem aplicados, revertem doenças muito diferentes da atual. Médicos de alguns Estados brasileiros, que em grupos fechados, especialmente no WhatsApp - sempre ele -, defendem esses kit como solução derradeira para casos iniciais de covid-19. Não há qualquer comprovação dessas "curas" como consequência direta da aplicação desses protocolos.

Ao contrário, todas as entidades médicas, como as sociedades goiana e brasileira de infectologia rechaçam a aplicação de técnicas contra a covid-19 que não tenham passado pelo crivo da ciência médica. É assim aqui e no mundo todo.

Apesar disso, prefeitos do interior de Goiás, e de outros Estados, estão começando a aderir ao "kit covid". Ao invés de protegerem a vida de seus cidadãos, eles podem estar ampliando todos os problemas e as terríveis consequências.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

O vai-e-vem das decisões arrasa o emocional dos pequenos e médios empresários. Adoção da regra "14 por 14" pode gerar estabilidade

A paralisação total das atividades na sempre eletrizada região da rua 44, em Goiânia, desde a implantação das primeiras medidas de restrição social em Goiás soma dois fatores gigantescamente graves. O primeiro, por óbvio, é a saúde, já que as aglomerações nesse formato de negócios são inerentes, e esse é o ambiente mais propício para o corona vírus se espalhar muito rapidamente. O segundo fator não é menos grave, embora pule do CPF para o CNPJ. Como as empresas protagonistas não tem poder financeiro para se autofinanciarem com as portas fechadas e o acesso bancário ao pacote de auxílio prometido pelo governo federal não chega a elas, a apreensão é total diante da real possibilidade de estrangulamento total do negócio.

Se esse conjunto de fatores é terrivelmente sério, agora se acrescenta um novo e também terrível componente: o vai-e-vem das decisões governamentais. Ontem, após cerca de três meses com as portas fechadas, as empresas, boa parte delas familiares, finalmente puderam voltar a vender. Durou muitíssimo pouco. Hoje, quarta-feira, 1º, a regra mudou, e a região está mais uma vez interditada.

O maior problema nisso tudo não é exatamente a quarentena empresarial, mas a falta de perspectiva de maior duração. Pode hoje, não pode amanhã quando se esperava/acreditava que poderia por mais tempo. Não há emocional que não fique abalado com isso. A regra 14 por 14 - 14 dias de quarentena e 14 dias subsequentes de abertura - poderá gerar pelo menos uma certa estabilidade. Essa também é uma torcida boa neste momento tão difícil.

Coquetel de medicamentos não comprovados pode barrar o corona vírus? Alguns médicos dizem que sim, a ciência ainda não aprova

Uma mistura de cloroquina/hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina e zinco quelado. É com esse coquetel - não reconhecido pelo polo de ciência médica mundial - que alguns prefeitos estão adotando para combater o corona vírus em suas cidades. Esse "tratamento" gerou até um protocolo de profissionais do Ceará e Amazonas em grupos de discussão fechada. É um pacote de remédios que supostamente, quando ministrado já nos primeiros sintomas da doença e sob orientação médica, conseguiria evitar o avanço do Sars-Cov-2 no organismo humano contaminado.

Como são medicamentos facilmente encontrados no mercado farmacêutico, valem todas as ressalvas sobre o perigo da automedicação. São remédios, como a cloroquina e a hidroxicloroquina, que podem provocar ataque cardíaco fatal.

O único fato novo no uso desse coquetel químico é a mudança do que se fazia no início da pandemia. Ao invés de se recomendar às vítimas da doença com sintomas leves ficar em casa e só procurar assistência médica se o quadro clínico se agravar, o combate à doença deve ser imediato, antes mesmo de se ter em mãos resultados de exames clínicos que comprovem a presença do corona vírus.

Esse não é o único coquetel que vem sendo usado pelos médicos mundo afora, e não chega a ser a "luz no fim do túnel". Numa analogia, talvez não seja inadequado apontar como lanternas na escuridão total para se encontrar a cura para a Covid-19, que já matou mais de 500 mil pessoas em pouco mais de quatro meses.

Reabertura (quase) total: Goiânia se lança à própria sorte sob a espreita do azar

De imediato é preciso reconhecer: Goiás e Goiânia, conjuntamente, fizeram tudo o que era possível para evitar que goianos e goianas vivessem...