Parece estúpido que março deste ano já dê a impressão de que foi há muito tempo. Não foi, está logo ali, mas quanta diferença.
Enquanto em Brasília o errático presidente trabalhava intensamente para alienar seguidores contra a brutal realidade do Sars-Cov-2, inclusive com a desastrosa declaração oficial que relatou a Covid-19 como "gripezinha" ou "resfriadinho", em Goiás o governador Ronaldo Caiado, invocando sua condição de médico, bradava no meio da horda bárbara de seguidores aglomerados na praça Cívica em apoio ao presidente amante da cloroquina. Uma frase dele em meio às vaias que recebeu, tornou-se uma profecia: "Quando faltarem UTIs para seus filhos, você vão bater às portas do Palácio (das Esmeraldas, sede do governo estadual)". Naquela altura, Goiás registrava somente 4 casos de Covid-19.
Os últimos números da Secretaria de Saúde são arrasadores: mais de 20 mil pacientes, 400 mortos. O que mais machuca é que não foi por falta de aviso.
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