sábado, 4 de julho de 2020

Só há três armas contra o corona vírus: máscaras, álcool e álcool em gel 70 e distanciamento social. O resto é curandeirismo, mesmo quando veste jaleco branco

É de perguntar: de onde partiu a onda pró-hidroxicloroquina? Seria ação de algum raizeiro apressado, um garrafeiro que cura de Aids a "espinhela caída", dor de barriga, diarreia e diabetes tudo ao mesmo tempo e com apenas algumas "talagadas"? Não. O que surge entre os leigos são fórmulas que prometem tudo, mas normalmente nada entregam, como mistura de mel com suco de alguma fruta ou raiz. Isso é o máximo que vem desse setor social da "medicina".

A cloroquina, e sua versão menos tóxica, a hidroxicloroquina, são resultados da indústria química, e foram desenvolvidos com finalidades específicas, como a malária, há vários anos. É o caso de se perguntar, então, como esses medicamentos passaram de "mocinhos" na luta para o qual foram criados para "vilões" da fake news na guerra contra o apavorante corona Sars-Cov-2. São versões poderosas sobre supostos e autênticos milagres que a cloroquina e a hidroxicloroquina conseguem na batalha contra o vírus. Versões estas levaram o próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a afirmar na TV americana que tomou os remédios durante duas semanas como "preventivo". Em outras palavras, como se fossem... vacinas.

Esses dois aí ainda fazem parte do rol de medicamentos mágicos - e sem qualquer comprovação avaliada pela ciência química medicamentosa -, mas mudaram de "protocolo". Eles agora compõem uma lista, igualmente clandestina do ponto de vista dos cientistas, de um kit corona, que funciona como uma maleta de primeiros-socorros. A julgar por inúmeros vídeos no Youtube e em grupos fechados, especialmente no WhatsApp - sempre ele! -, essa gororoba química, que algumas vezes tem até vermífugo como ponta-de-lança do ataque aos primeiros sintomas da covid-19. tem empolgado muita gente, inclusive prefeitos.

Se a cloroquina e a hidroxicloroquina foram superados em sua carreira como "vacina", eis que agora surge mais um remédio: a invermectina. Criada para arrasar com o corona? Não, seu objetivo é combater vermes e parasitas que causam elefantíase, e também combate lombriga, sarna e piolho. Há médicos, como no caso da dupla coqueluche até então, que defendem esse  medicamento - mais uma vez! - como espécie de "vacina": tomou, pimba, adeus corona. Em tempo: a versão mais conhecida da invermectina é bastante badalada entre os criadores de... gado, o Ivomec, que há 40 anos auxilia no combate a parasitas como berne e carrapato.

Tudo somado, e apesar desses coquetéis todos, os humanos tem poucas armas conhecidas e comprovadas até agora para sobreviver ao corona vírus: distanciamento social, álcool e álcool gel 70 e usar máscaras corretamente. O resto é curandeirismo, mesmo quando se exibe com um jaleco branco.

Do editor - aproveite que chegou até aqui neste texto e aponte seu mouse para este link: Revista Questão de Ciência

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