sexta-feira, 3 de julho de 2020

Se não acabar com a aglomeração assassina no transporte coletivo, esforço da quarentena goianiense não valerá grande coisa

Desde março, quando o corona vírus mostrou seus dentes caninos, raivosos e mortais para os goianos, o governador Ronaldo Caiado e inúmeros prefeitos assumiram uma duríssima, e providencial, linha de combate ao contágio. Durante pelo menos dois meses, os goianienses demonstraram uma adesão extraordinária às restrições sociais. Ao ponto de a ameaça ganhar ares muito mais tranquilizadores, muito embora não exista tranquilidade alguma enquanto esse vírus não for contido pela ciência médica mundial.

Foi um período importante para a saúde de todos. Durante pouco mais de dois meses, Goiás estava entre os Estados com melhor controle sobre a difícil situação. Depois desse período, tudo começou a mudar dramaticamente. Tanto em Goiânia como também em algumas das principais cidades do interior. Ao ponto de o governador Ronaldo Caiado mais uma vez sacar de um novo plano de distanciamento social, o 14 por 14, sob o impacto de estudo realizado por grupo de estudiosos da UFG, um dos melhores centros acadêmicos do país. Goiânia aderiu imediatamente, Alguns prefeitos do interior entenderam que podem proteger seus cidadãos e cidadãs de outras maneiras.

Hoje, sexta-feira, 3, o prefeito Iris Rezende se pronunciou através de vídeo nas redes sociais, para pedir o empenho, mais uma vez, dos goianienses. Ele também explicou que a administração vem tomando todas as precauções recomendadas pelas autoridades sanitárias.

Quarentenas resolvem enquanto "barreira sanitária" para barrar o corona vírus? Sim, sem dúvida. Todos os países que enfrentaram problemas sérios lançaram mão desse estratagema, e conseguiram salvar muitas pessoas. É claro que isso salva por um lado, mas afeta de maneira particularmente cruel toda a economia. O plano 14 por 14 visa diluir essas dificuldades. Se dará certo ou não é preciso esperar para concluiu, mas não fazer nada seria a pior solução.

Há, porém, uma gravíssima ameaça que trabalha contra o sucesso da nova quarentena: o transporte coletivo de Goiânia e região metropolitana. Tudo o que o vírus precisa para matar centenas, talvez milhares de pessoas é esse transporte que aí está. Se não resolver isso, o esforço que se fará agora não valerá grande coisa.

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